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    Liderada por mulheres, RSC celebra 21 anos conectando ciência, comunidades e restauração

    Nascida no ambiente acadêmico da Universidade de Brasília (UnB) e fortalecida pelas comunidades tradicionais, a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) completa 21 anos nesta terça-feira, 5 de agosto, consolidando-se como referência na restauração ecológica com sementes nativas. Esta história, iniciada em 2001, transformou-se em um movimento que conecta saberes científicos e tradicionais, promove inclusão social e mantém o Cerrado vivo.

    A trajetória da RSC começou com um projeto do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para a criação de redes de sementes no Brasil. No Cerrado, o projeto foi liderado pelos professores da Universidade de Brasília (UnB) Linda Caldas e Manoel Cláudio da Silva Júnior, com apoio de outros pesquisadores, que identificaram a escassez de sementes de espécies nativas necessárias para a restauração do bioma. Em 2004, formalizaram a instituição e transformaram a iniciativa em uma associação sem fins lucrativos. Desde então, a RSC foi qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), dedicando-se à conservação da sociobiodiversidade do Cerrado.

    Com o objetivo de restaurar o Cerrado e fortalecer os territórios, a RSC tem a missão de conectar os elos da cadeia da restauração, com protagonismo das comunidades na conservação do bioma. A instituição une todos os segmentos dessa cadeia, articulando a academia, os povos tradicionais e os órgãos públicos. “Sem a base comunitária, não temos alicerce. Nosso trabalho é fortalecer quem vive e protege o Cerrado, garantindo que o protagonismo da restauração esteja nas mãos de quem mantém o bioma em pé”, afirma Anabele Gomes, presidente da RSC.



    Geração de emprego e renda

    Ao longo de sua história, a RSC estruturou um mercado de sementes nativas de base comunitária, beneficiando diretamente cerca de 360 coletores, dos quais mais da metade são mulheres. Desde 2017, já foram comercializadas, em parceria com a Associação de Coletores Cerrado de Pé (ACP), mais de 76 toneladas de sementes de mais de 90 espécies nativas, gerando mais de R$ 4 milhões em renda direta para comunidades e contribuindo para a restauração de mais de 850 hectares de áreas degradadas em diferentes territórios do Cerrado.
    O trabalho vai além da produção e comercialização de sementes, a Rede atua na formação de coletores e restauradores, já capacitou mais de 1.300 pessoas, produziu publicações técnicas e materiais educativos, além de fomentar a técnica de semeadura direta como método de restauração.

    Protagonismo Feminino

    Com uma estrutura que promove equidade, a governança da RSC é um diferencial. Presidida por mulheres desde sua fundação, a atual diretoria e o Núcleo Executivo são compostos integralmente por lideranças femininas, incluindo mulheres negras. “Ter uma instituição de referência na restauração, com a relevância que conquistamos, sendo liderada exclusivamente por mulheres, é um diferencial que precisamos mostrar com orgulho. Isso inspira dentro das comunidades e em todo o setor”, reforça Anabele Gomes.

    Restauração inclusiva

    A RSC integra a Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum) e o Comitê Gestor do Redário, que reúne 27 redes de coletores de sementes em todo o país. Essa atuação fortalece políticas públicas, fomenta um mercado de sementes nativas e assegura que a restauração ecológica seja também um instrumento de transformação social.
    A RSC transformou-se em uma ponte entre ciência, comunidades e paisagens restauradas. Cada semente coletada e semeada representa bem mais do que recuperação da biodiversidade, mas histórias de resistência, geração de renda e um Cerrado vivo para as próximas gerações.

    Publicado em 05/08/2025

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